I keep an eye on spring.

Agosto 9, 2008

36 quarenta e dois vintenove doze dezessete 15 dezoito vintesete quarentaenove 81 dezessete quinze quatro vinte nove sessenteeum doze dez duzentosequarentaenove cinquentaenove 84 sete dois quatro um zero dois 9 cinquentaedois oito doze vintenove trinta cinquenta doze someone drops an eye.


univers.

Agosto 5, 2008


A pedra dos livros.

Julho 12, 2008

Estava voltando pra casa certa noite, quando percebo que há um buraco na calçada de pedras portuguesas. Fico imaginando como a pedra havia saído dali… Será que alguém tropeçou? É possível alguém tropeçar e arrancar uma pedra, numa calçada daquelas? Ou alguém esforçosamente arrancou? Vai-se saber…

Cheguei em casa, tomei um banho, comi algo e liguei a tv, na penumbra da noite. Fiquei reparando o reflexo da imagem da tv na parede, no sofá… No entanto, o que mais me chamou a atenção foi o reflexo que fazia na pedra que segurava os meus livros na estante. Me aproximei e vi que a pedra muito se assemelhava às pedras da calçada. Tanto que parecia que voltei com a pedra na mão (ainda de pijamas) pra rua… Minha satisfação só foi plena quando a pedra se encaixou, perfeitamente, no buraco da calçada.

Dois dias depois, passando pela mesma rua, encontro o meu sofá encostado no muro. O meu sofá, ali, do outro lado da rua… O queimado de cigarro denunciava ainda mais que era, de fato, o meu sofá. Certo disso, comecei a trazê-lo para casa, imaginando como ele fora parar ali… Será que tinha alguma relação com a pedra portuguesa? Ou alguém o havia colocado ali? Inerte nos meus pensamentos, tropecei no meio-fio e o sofá caiu na calçada, arrancando uma das pedras.

Voltei para casa com o sofá e a pedra.

(E desde então não assisto mais tv)


Ouroboros.

Junho 27, 2008

Passo a maior parte do tempo esperando ansiosamente pelo fim, assim como espero um cigarro terminar para que possa dar atenção à outra coisa - que me levará ao próximo cigarro. Uma ânsia do que está por vir, para poder, enfim, sentir o leve perfume quase irreconhecível da nostalgia. Não existe solidão e seu antônimo desconhecido: são solidões diferentes. 

Não sei mais por onde comecei. É o tipo de coisa que se começa pelo meio.


25%.

Junho 26, 2008

Parte do todo é parte que se reparte em idéias, medo, fracasso e conquistas do resto que é consumido em bolhas de água vazia se desprende do ser, aprende e se esvai como nuvens retalhos da vida, da alma vazia, da cor viva e da histeria de uns poucos momentos de luz, de uns muitos momentos com fusos do peso do corpo ad infinitum através do além mar de feixes de luz extensa são os delírios. Parte do todo reparte o todo.


Só.

Junho 22, 2008

Do que falam os loucos? O que dizem os amantes? Não seria, pois, o mesmo?

 

Acreditar é o medo da solidão.

É a ilusão da compreensão. 


vermelho carpete

Junho 22, 2008

verde. vermelho, amarelo…o chão de carpete da floresta inverte a ordem. andando por debaixo d’água, algas rasteiras, floresta fluida, não flutuo, não sou bolha: meus pés estão no chão. se é a linha do equador ou o magnetismo das ondas, não sei.

(existem mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã astronomia)


Quatro da manhã.

Junho 13, 2008

Quatro da manhã, quando cantam os passarinhos. Que estão a tramar os malditos pássaros? Cantam à desgraça, ao estúpido fim da vida… Danem-se. O mosquito vêm… O que ele quer? A fumaça que sobe, o mosquito que vêm (e os pássaros que cantam). A faca está ali (o fósforo está ali). Inspira, espira; pra dentro, pra fora. Porra! Quatro da manhã!


Era só.

Maio 21, 2008
Já não sei como -
era de se esperar -
que foi, como é
que esperei cessar.
No início de tudo,
no eu absoluto,
era só o fim.
Só o fim do fundo.

DEUS TV.

Setembro 13, 2007

Qualquer um acharia isso, menos as pessoas normais.